Trump cria fundo bilionário para indenizar invasores do Capitólio e gera reação nos EUA
Medida prevê compensação financeira a apoiadores envolvidos nos atos de 6 de janeiro de 2021 e amplia debate sobre tentativa de reescrever episódio histórico nos Estados Unidos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou ao centro de uma nova controvérsia política após anunciar a criação de um fundo bilionário destinado a indenizar apoiadores envolvidos na invasão ao Capitólio, ocorrida em 6 de janeiro de 2021. A iniciativa prevê US$ 1,776 bilhão para compensar pessoas que alegam ter sofrido prejuízos financeiros e jurídicos após serem investigadas, processadas ou condenadas pelos atos registrados durante a tentativa de impedir a certificação da vitória eleitoral de Joe Biden.
O episódio, considerado um dos maiores ataques à democracia norte-americana nas últimas décadas, deixou mortos, dezenas de feridos e resultou em centenas de prisões. Na ocasião, manifestantes pró-Trump invadiram o Congresso dos Estados Unidos após discursos e mobilizações que questionavam, sem provas, o resultado das eleições presidenciais de 2020.
Logo no início de seu segundo mandato, Trump concedeu anistia a mais de mil investigados pelos atos e reduziu penas de condenados por crimes relacionados à invasão. Agora, com a criação do chamado “Fundo Antiarmamento”, o republicano reforça o discurso de que os envolvidos teriam sido vítimas de perseguição política durante o governo Biden.
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Segundo o presidente norte-americano, os recursos servirão para reembolsar despesas judiciais e outros danos enfrentados pelos apoiadores processados. A administração do fundo ficará sob responsabilidade de um conselho vinculado ao Departamento de Justiça dos EUA. A medida, porém, provocou reação negativa tanto entre democratas quanto entre integrantes do próprio Partido Republicano.
O líder republicano no Senado, John Thune, afirmou não apoiar integralmente o projeto e demonstrou dúvidas sobre a aplicação dos recursos. A criação do fundo ocorre em meio à queda de popularidade de Trump e ao aumento das críticas relacionadas ao custo de vida e aos conflitos internacionais envolvendo os Estados Unidos.
Além da repercussão política, o valor estipulado para o fundo chamou atenção por carregar um simbolismo histórico: 1776 faz referência ao ano da independência dos Estados Unidos. O plano também está ligado a um acordo judicial envolvendo Trump, seus filhos e a Receita Federal americana (IRS), após questionamentos sobre vazamento de declarações fiscais da família do presidente.








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