Petróleo despenca após acordo entre EUA e Irã sobre Estreito de Ormuz
Expectativa de retomada do fluxo marítimo reduz temor de crise global na oferta de petróleo e pressiona preços internacionais em mais de 5%
Os preços internacionais do petróleo registraram forte queda nesta segunda-feira (26) após avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte global de petróleo. A redução das tensões no Oriente Médio diminuiu o temor de uma crise de abastecimento e provocou reação imediata nos mercados.
Por volta das 6h13 (horário de Brasília), o barril do petróleo Brent, referência internacional, recuava 4,86%, cotado a US$ 95,34. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, caía 5,29%, negociado a US$ 91,49. A queda acontece após semanas de forte volatilidade no mercado de commodities energéticas, impulsionada pelos conflitos na região e pelas restrições ao tráfego marítimo no Golfo Pérsico.
Acordo entre EUA e Irã reduz tensão no mercado
Investidores reagiram positivamente às informações de que Washington e Teerã avançaram em um acordo preliminar para reabrir o Estreito de Ormuz e ampliar as negociações envolvendo o programa nuclear iraniano.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo (25), em publicação nas redes sociais, que o governo norte-americano não pretende acelerar a conclusão do acordo definitivo. Segundo ele, as negociações devem ocorrer “com calma”, enquanto as sanções econômicas ao Irã permanecem em vigor até a assinatura formal do entendimento.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa internacional, integrantes da Casa Branca acreditam que o acordo poderá ser concluído nos próximos dias. Fontes ligadas ao governo afirmam que o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, já teria aprovado os principais termos do memorando.
Reabertura de Ormuz alivia temor sobre oferta global
A expectativa de retomada gradual da navegação no Estreito de Ormuz ajudou a reduzir os receios de um choque prolongado na oferta global de energia. Relatos indicam que embarcações retidas no Golfo Pérsico já começaram a seguir em direção ao estreito diante da perspectiva de normalização do tráfego marítimo.
Especialistas avaliam que uma estabilização no mercado de energia pode aliviar pressões inflacionárias em diversos setores, incluindo combustíveis, transporte, alimentos e indústria. Mesmo com a queda desta segunda-feira, analistas alertam que os preços do petróleo ainda devem permanecer elevados nos próximos meses devido aos impactos logísticos e aos danos causados pela crise regional.
Mercado ainda vê riscos para transporte e energia
O economista de commodities da Capital Economics, Hamad Hussain, afirmou que os preços só devem cair de forma mais consistente quando houver melhora significativa no equilíbrio entre oferta e demanda global.
Dados da Agência Internacional de Energia (IEA) mostram que os estoques mundiais de petróleo encolheram cerca de 250 milhões de barris entre março e abril, registrando o maior ritmo de queda desde o início do conflito no Oriente Médio.
Apesar dos avanços diplomáticos, o governo iraniano reforçou que pretende assumir o controle da segurança do Estreito de Ormuz sem presença militar estrangeira. Em comunicado divulgado pela agência Tasnim, autoridades iranianas afirmaram que qualquer agressão externa será respondida de forma rigorosa.
O memorando em negociação prevê a retomada gradual do fluxo marítimo, alívio parcial das sanções ao petróleo iraniano, desbloqueio de recursos financeiros do país no exterior e extensão do cessar-fogo atual por mais 60 dias.
Impacto pode chegar ao consumidor
Mesmo com a retração do petróleo no mercado internacional, especialistas avaliam que os custos de frete marítimo, seguros e transporte ainda devem demorar para retornar aos níveis anteriores ao conflito.
A Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos projeta que, caso a normalização do fluxo marítimo avance ainda neste semestre, o barril do Brent poderá fechar o ano com média de US$ 89 e recuar para cerca de US$ 79 até 2027. No início de 2026, o petróleo era negociado próximo dos US$ 60 por barril.






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