ONU alerta para calor recorde nos próximos cinco anos e avanço acelerado do aquecimento no Ártico
Relatório da ONU e do Met Office aponta que temperaturas globais devem permanecer próximas de máximas históricas até 2030, com aumento de eventos climáticos extremos e impactos na Amazônia.
As temperaturas médias globais devem continuar próximas dos níveis recordes históricos pelos próximos cinco anos, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (28) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), ligada à ONU, em parceria com o Met Office, serviço meteorológico do Reino Unido.
O estudo projeta que a temperatura média anual do planeta ficará entre 1,3°C e 1,9°C acima dos níveis registrados no período pré-industrial, entre 1850 e 1900. A previsão reforça o alerta da comunidade científica sobre o avanço acelerado das mudanças climáticas e o aumento dos impactos ambientais em diversas regiões do mundo.
De acordo com Melissa Seabrook, cientista pesquisadora do Met Office, há evidências claras de que o planeta continua aquecendo em ritmo acelerado.
“Há evidências muito claras de que o clima está aquecendo e que a temperatura média global continua a subir”, afirmou a pesquisadora em entrevista à agência Reuters.
O relatório também aponta alta probabilidade de que o limite de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais seja ultrapassado temporariamente em pelo menos um ano entre 2026 e 2030.
A meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C foi estabelecida no Acordo de Paris, firmado em 2015 por diversos países. Cientistas alertam que ultrapassar esse patamar aumenta significativamente a frequência e a intensidade de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, secas severas, enchentes e tempestades.
Apesar disso, os pesquisadores explicam que um ano isolado acima do limite não significa necessariamente o fracasso do acordo climático, já que a meta considera médias de longo prazo.
“A ciência é muito clara ao afirmar que a janela para manter a temperatura média global em 1,5 grau está se fechando rapidamente”, destacou Seabrook.
Outro ponto de destaque no relatório é o aquecimento acelerado do Ártico. Segundo os cientistas, as temperaturas de inverno na região devem subir mais de 3,5 vezes acima da média global nos próximos anos. A previsão inclui redução significativa do gelo marinho em áreas como os mares de Barents, Bering e Okhotsk durante a segunda metade desta década.
Os pesquisadores alertam que esse aquecimento acelerado pode alterar padrões climáticos em diferentes partes do planeta, favorecendo a ocorrência de eventos extremos, especialmente no hemisfério norte.
O levantamento também prevê mudanças importantes no regime de chuvas em diversas regiões. Enquanto áreas do norte da Europa, Alasca, Sibéria e região do Sahel devem registrar períodos mais úmidos entre maio e setembro, a Amazônia pode enfrentar condições mais secas no mesmo intervalo.
Outro fator que preocupa os especialistas é a possibilidade de um forte fenômeno El Niño neste ano, com efeitos que podem se prolongar até 2027. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, influencia diretamente o clima global e pode contribuir para novos recordes de temperatura.
O relatório reforça o cenário de urgência climática e amplia a pressão internacional por medidas de redução das emissões de gases de efeito estufa e ações de adaptação às mudanças climáticas.






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