MP investiga fraude milionária em descontos na folha de servidores do DF
Operação Juro Zero apura esquema que teria gerado R$ 80 milhões em cobranças irregulares; PicPay e BRB negam irregularidades e afirmam colaborar com as investigações.
Divulgação/MPDFT O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou nesta sexta-feira (19) a Operação Juro Zero para investigar um suposto esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos na folha de pagamento de servidores públicos do Distrito Federal. Segundo as apurações, o esquema teria movimentado cerca de R$ 80 milhões por meio de cobranças consideradas irregulares em operações de antecipação salarial entre agosto de 2024 e agosto de 2025.
A força-tarefa cumpriu 50 mandados de busca e apreensão em Brasília, Curitiba e São Paulo. Entre os alvos da investigação estão o Banco de Brasília (BRB), a plataforma de pagamentos PicPay, a BRB Serviços, a Secretaria de Economia do Distrito Federal e o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev-DF). As medidas foram autorizadas pelo Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT).
De acordo com o MPDFT, o grupo investigado teria criado mecanismos para aplicar descontos considerados ilícitos nos contracheques de servidores públicos. Um dos focos da investigação envolve uma modalidade de antecipação salarial que, segundo os promotores, poderia estar mascarando a cobrança de juros e encargos financeiros.
Entre os principais investigados está Ney Ferraz, ex-secretário de Economia do Distrito Federal e ex-presidente do Iprev-DF. As apurações apontam que o modelo investigado teria sido implementado após a criação de uma modalidade específica de desconto em folha, regulamentada por decreto em 2024.
PicPay nega irregularidades
Em nota, o PicPay afirmou que não reconhece qualquer irregularidade nas operações investigadas e rejeitou as acusações de cobrança indevida. A empresa informou que os valores de antecipação salarial eram disponibilizados diretamente no cartão do cliente após solicitação feita pelo próprio usuário no aplicativo, sem intermediários e sem cobrança adicional nessa modalidade.
A fintech também destacou que mantém uma estrutura de governança, gestão de riscos e compliance alinhada às exigências regulatórias do setor financeiro e que continuará colaborando com as autoridades para o esclarecimento dos fatos.
BRB afirma que apenas operacionaliza descontos
O BRB declarou que não possui contrato com o PicPay e informou que sua atuação se limita à operacionalização dos descontos em folha. Segundo o banco, a concessão dos empréstimos é realizada por terceiros, sem participação direta da instituição financeira na contratação ou execução das operações.
A instituição ressaltou ainda que a investigação está direcionada à BRB Serviços, empresa integrante do conglomerado, mas com CNPJ e atribuições próprias, responsável pela gestão da plataforma tecnológica utilizada para os descontos em folha de pagamento.
Governo do DF acompanha investigação
A Secretaria de Economia do Distrito Federal informou que a investigação tem como foco a conduta de agentes públicos e não a atuação institucional da pasta. Em nota, o órgão afirmou que está colaborando integralmente com o Ministério Público e a Polícia Civil, garantindo acesso às instalações e aos materiais necessários para o andamento das diligências.
A Operação Juro Zero é coordenada pela Vice-Procuradoria-Geral de Justiça, pela Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon) e pelo Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que seguem apurando a extensão do suposto esquema e a participação dos envolvidos.




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