Gasolina e diesel sobem no RN
Reajuste na refinaria Clara Camarão eleva gasolina em R$ 0,30 e diesel em R$ 0,75; motoristas já sentem impacto nos postos de Natal.
Foto: Adriano Abreu Os preços da gasolina e do diesel sofreram novo reajuste no Rio Grande do Norte após atualização realizada pela refinaria Clara Camarão, localizada em Guamaré. O aumento, aplicado nesta quinta-feira (5), já começa a ser sentido nos postos de combustíveis de Natal.
Na refinaria operada pela Brava Energia, o litro da gasolina passou de R$ 2,59 para R$ 2,89 — um aumento de R$ 0,30, equivalente a 11,5%. Já o diesel A S500 registrou uma alta ainda mais significativa. Na modalidade EXA, o combustível passou de R$ 3,32 para R$ 4,07, enquanto na modalidade LCT subiu de R$ 3,33 para R$ 4,08. Em ambos os casos, o reajuste foi de R$ 0,75 por litro, o que representa uma variação de cerca de 22,5%.
Impacto já aparece nos postos
Em Natal, o aumento já se reflete nas bombas. Em alguns postos da capital, a gasolina se aproxima dos R$ 7,00 por litro, especialmente em bairros como Lagoa Nova. Já em trechos da avenida Prudente de Morais, o combustível é encontrado por cerca de R$ 6,59. Em regiões como a Ribeira, os preços são um pouco menores, com média de R$ 6,34.
Motoristas relatam surpresa com a alta repentina. A professora Rafaela Farias, de 40 anos, afirma que percebeu o aumento entre quarta-feira (4) e quinta-feira (5).
“É um prejuízo no bolso do trabalhador, de quem precisa se locomover e depende do carro, principalmente porque o transporte público não atende bem”, comentou.
Para quem trabalha nas ruas, o impacto é ainda maior. O motorista de aplicativo Ramon Alves, de 29 anos, afirma que o aumento reduz diretamente a renda dos profissionais.
“Quando o combustível sobe, nossa renda diminui”, disse.
Guerra no Oriente Médio influencia preços
De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do RN (Sindipostos/RN), Maxwell Flor, o reajuste está ligado à instabilidade no mercado internacional de petróleo, intensificada pelos recentes ataques militares no Oriente Médio.
Segundo ele, a região concentra grande parte da produção mundial de petróleo, e qualquer tensão geopolítica acaba influenciando os preços globais.
“O Oriente Médio é uma das regiões que mais produz petróleo no mundo. Como o combustível é uma commodity internacional, isso acaba afetando também os preços aqui”, explicou.
Nos últimos dias, o valor do barril registrou forte valorização após ataques militares envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Um dos principais temores do mercado é uma possível interrupção no fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.
Previsão é de novos aumentos
A expectativa do setor é de que os preços continuem pressionados nas próximas semanas. Maxwell Flor alerta que, enquanto o conflito internacional persistir, novos reajustes podem ocorrer.
“Ainda não há perspectiva de fim dessa guerra. Existe preocupação de que novos aumentos aconteçam já na próxima semana”, afirmou.
A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) também alertou que os consumidores podem enfrentar diferenças de preços significativas entre regiões do país. Segundo a entidade, a variação pode ultrapassar R$ 1,00 por litro no diesel e R$ 0,40 na gasolina.
Com informações da Tribuna do Norte



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