Barragem de Oiticica dobra volume após chuvas no RN
Reservatório no Sertão potiguar ultrapassa 200 milhões de metros cúbicos após chuvas recentes; recarga hídrica beneficia dezenas de municípios.
Foto: Divulgação As chuvas registradas no Sertão do Rio Grande do Norte desde a segunda quinzena de fevereiro provocaram uma importante recarga hídrica nos reservatórios do estado. De acordo com dados do Instituto de Gestão das Águas do RN (IGARN), os açudes e barragens monitorados pelo Governo do Estado receberam cerca de 100 milhões de metros cúbicos de água nas últimas semanas.
O destaque é a Barragem de Oiticica, localizada no município de Jucurutu, que teve seu volume praticamente dobrado, ultrapassando a marca de 200 milhões de metros cúbicos. Na última medição divulgada pelo IGARN, o reservatório acumulava 214,1 milhões de metros cúbicos, o equivalente a 28,8% da capacidade total, que é de 742,6 milhões de metros cúbicos.
Atualmente, 40 reservatórios públicos do estado registraram recarga, beneficiando pequenas barragens, açudes de médio porte e sistemas de abastecimento de água em diversos municípios.
Situação da seca ainda preocupa
Apesar das chuvas recentes, 75 municípios potiguares permanecem em situação de emergência reconhecida pela Defesa Civil devido à seca em estágio extremo, cenário que provoca impactos sociais e econômicos significativos no interior do estado.
Em Serra Negra do Norte, por exemplo, o sistema de abastecimento administrado pela prefeitura foi restabelecido após as chuvas encherem um complexo de 10 barragens, formando uma lâmina de água de aproximadamente 28 quilômetros no leito do Rio Espinharas.
Grandes reservatórios seguem com níveis moderados
Mesmo com as chuvas, os principais reservatórios do estado não registraram grandes elevações no volume acumulado.
A Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, localizada em Itajá e responsável pelo abastecimento de cerca de 500 mil pessoas em 38 municípios atendidos pela Caern, permanece com 997,6 milhões de metros cúbicos, volume equivalente a cerca de 42% da capacidade total.
Outros reservatórios importantes também apresentam níveis intermediários:
Barragem Santa Cruz (Apodi): 320,5 milhões de m³ (53,4%)
Barragem Umari (Upanema): 143,6 milhões de m³ (49%)
No total, as reservas hídricas superficiais do Rio Grande do Norte somam 2,06 bilhões de metros cúbicos, o que representa 39% da capacidade total de armazenamento do estado, estimada em 5,29 bilhões de metros cúbicos.
Transposição do São Francisco pode reforçar Oiticica
Para 2026, o planejamento estratégico dos órgãos responsáveis pela gestão hídrica prevê a chegada de uma nova cota de água da transposição do Rio São Francisco ao reservatório de Oiticica, estimada em 93 milhões de metros cúbicos. A primeira remessa, de 79 milhões, foi registrada no segundo semestre de 2025.
Segundo o diretor-presidente do IGARN, Procópio Lucena, a medida é estratégica para garantir segurança hídrica ao estado.
“A tendência é receber uma nova cota de água do PISF, porque nossas reservas estão hoje em torno de 39% da capacidade. Como ainda há incertezas sobre o volume de chuvas em março e abril, precisamos aproveitar cada aporte hídrico”, explicou.
O gestor também destacou a importância de fortalecer o volume da Barragem de Oiticica para permitir uma gestão integrada com a Barragem Armando Ribeiro, considerada essencial para a economia do estado.
“Vamos acumular o máximo possível em Oiticica para depois fazer uma gestão compartilhada, garantindo água para produção, geração de emprego, renda e segurança alimentar”, afirmou.
Chuvas melhoram cenário no interior
Além do impacto nos grandes reservatórios, as chuvas das últimas semanas também trouxeram alívio para comunidades rurais.
Segundo o IGARN, riachos voltaram a correr, pequenos açudes encheram e cisternas receberam água da chuva, melhorando as condições de abastecimento tanto nas zonas rurais quanto nas áreas urbanas de pequenos municípios.
Atualmente, o Rio Grande do Norte conta com cerca de 25 mil espelhos d’água e aproximadamente 80 mil cisternas, estruturas fundamentais nas políticas de convivência com a seca no semiárido.
Municípios com maiores volumes de chuva em 2026
Entre 1º de janeiro e 8 de março de 2026, os municípios que registraram os maiores índices pluviométricos, segundo a Emparn, foram:
- Portalegre – 517,4 mm
- Rafael Godeiro – 472,8 mm
- Martins – 432,2 mm
- Monte Alegre – 426,6 mm
- São Gonçalo do Amarante – 421,6 mm
- Rodolfo Fernandes – 411,0 mm
- Itaú – 398,6 mm
- Serrinha dos Pintos – 396,7 mm
- Viçosa – 396,6 mm
- Parnamirim – 383,7 mm
- Jandaíra – 376,8 mm
A maior parte das chuvas foi registrada na mesorregião Oeste potiguar, seguida por municípios do Agreste e da região Leste.



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