Fim da escala 6x1 pode elevar custos e impactar empregos no RN
Setor produtivo defende transição gradual na mudança da jornada de trabalho e alerta para possíveis impactos no emprego, produtividade e preços.
Foto: Magnus Nascimento A possível mudança na escala de trabalho 6x1, que prevê um dia de folga a cada seis dias trabalhados, tem gerado preocupação entre representantes do setor produtivo no Rio Grande do Norte. Empresários defendem que qualquer alteração na jornada seja feita de forma gradual e com amplo diálogo entre trabalhadores, empresas e governo, evitando impactos negativos na economia.
A proposta em discussão no Congresso estabelece uma jornada semanal de 36 horas distribuídas em quatro dias de trabalho e três de descanso, sem redução salarial. Segundo estudo apresentado pelo sociólogo e professor da Universidade de São Paulo (USP), José Pastore, a mudança poderia provocar redução significativa na carga anual de trabalho e aumento dos custos para empresas.
No Rio Grande do Norte, entidades que representam setores como comércio, serviços, turismo e construção civil alertam que a alteração pode elevar despesas operacionais e exigir a contratação de mais trabalhadores. No setor da construção civil, por exemplo, a estimativa é de que o valor da hora trabalhada possa subir até 37,5%, impactando diretamente o preço final de obras e imóveis.
O comércio também demonstra preocupação. Representantes do setor afirmam que a redução da jornada sem ajustes salariais pode aumentar em cerca de 22% o custo da mão de obra, além de reduzir a produtividade em atividades intensivas em trabalhadores. Para segmentos como hotelaria, bares e restaurantes, que funcionam em regime contínuo, o impacto pode ser ainda maior devido à necessidade de contratação adicional ou pagamento de horas extras.
Outro ponto destacado pelo estudo é o possível reflexo na economia nacional. A redução abrupta da jornada poderia resultar em queda estimada de até 6,2% no Produto Interno Bruto (PIB), índice comparável ao impacto de uma recessão econômica. Especialistas ressaltam que mudanças semelhantes em países desenvolvidos ocorreram ao longo de cerca de 15 anos, geralmente por meio de negociações coletivas.
Apesar das preocupações, representantes do setor produtivo reconhecem a importância do debate sobre qualidade de vida e melhores condições de trabalho. No entanto, defendem que qualquer alteração na jornada laboral seja planejada com cautela para evitar prejuízos à geração de empregos e ao crescimento econômico.






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