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Senado rejeita indicação de Jorge Messias ao STF e impõe derrota histórica ao governo Lula

Nome havia sido aprovado pela CCJ, mas foi barrado no plenário por 42 votos contrários; decisão é considerada inédita desde 1894


Senado rejeita indicação de Jorge Messias ao STF e impõe derrota histórica ao governo Lula Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O Senado Federal rejeitou, nesta quarta-feira (29), a indicação do advogado-geral da União, Jorge Rodrigo Araújo Messias, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão representa um episódio raro na história política brasileira e impõe uma derrota significativa ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A votação ocorreu de forma secreta no plenário e terminou com 42 votos contrários e 34 favoráveis. Para ser aprovado, o indicado precisava obter ao menos 41 votos favoráveis — maioria absoluta dos 81 senadores. Esta é a primeira vez desde 1894 que o Senado rejeita uma indicação presidencial ao STF.

Mais cedo, o nome de Messias havia sido aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado por 16 votos favoráveis e 11 contrários. Após a aprovação no colegiado, a indicação seguiu em regime de urgência para votação no plenário, onde acabou sendo barrada.

Durante a sabatina na CCJ, que teve início por volta das 9h e se estendeu até o fim da tarde, Messias respondeu a questionamentos de senadores da base governista e da oposição sobre temas jurídicos e políticos. O indicado defendeu que o Supremo Tribunal Federal deve buscar constante aperfeiçoamento institucional e atuar com autocontenção em temas que geram divisão na sociedade.

Ao longo da sessão, Messias afirmou ser evangélico, mas reforçou a defesa do Estado laico, destacando que o Judiciário deve manter diálogo institucional com todas as religiões. Ele também defendeu o uso da conciliação como ferramenta para solucionar conflitos fundiários e ressaltou a importância de equilibrar o direito à propriedade privada com a proteção aos povos indígenas.

O indicado também afirmou ser pessoalmente contrário ao aborto, mas declarou que o tema deve ser tratado pelo Congresso Nacional, e não pelo Judiciário. Além disso, destacou que a Advocacia-Geral da União (AGU) atuou em 26 ações judiciais relacionadas aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, com recuperação de cerca de R$ 26 milhões para reparação de danos.

A indicação de Jorge Messias havia sido anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva há cerca de cinco meses para ocupar a vaga deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso, que se aposentou antecipadamente em outubro de 2025.

Com a rejeição do nome pelo Senado, caberá agora ao presidente da República indicar um novo candidato ao cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal, que deverá passar novamente por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça e votação no plenário da Casa.




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