Hantavírus em cruzeiro acende alerta mundial; especialistas descartam risco de pandemia no Brasil
Surto registrado em navio nas Ilhas Canárias envolveu a rara cepa Andes, única com transmissão entre humanos; pesquisadores reforçam que casos seguem raros no Brasil.
O surto de hantavírus registrado em um navio de cruzeiro internacional colocou autoridades de saúde em alerta e reacendeu discussões sobre doenças infecciosas raras. Passageiros começaram a desembarcar neste domingo (10) nas Ilhas Canárias, na Espanha, após a confirmação de mortes e casos da cepa Andes — considerada a única variante conhecida com possibilidade de transmissão entre humanos. Apesar da repercussão mundial, especialistas brasileiros afirmam que não há motivo para pânico no Brasil.
Segundo pesquisadores da Fiocruz e do Ministério da Saúde, o hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com partículas presentes na urina, saliva e fezes de ratos silvestres. A cepa Andes, identificada no navio, circula em áreas rurais da Argentina e do Chile e exige contato próximo e prolongado entre pessoas para ocorrer transmissão. Diferentemente da Covid-19, o vírus não apresenta alta capacidade de disseminação em massa.
O caso ganhou notoriedade após a morte de um passageiro holandês de 70 anos durante a viagem. Dias depois, a esposa dele também morreu após apresentar sintomas compatíveis com a doença. Outros casos seguem sendo monitorados pelas autoridades sanitárias internacionais. A embarcação realizava um cruzeiro de expedição pelo Atlântico Sul, com saída de Ushuaia, na Argentina, rumo a Cabo Verde.
No Brasil, o Ministério da Saúde confirmou sete casos de hantavirose em 2026, sem relação com o surto internacional. Estados como Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina registraram ocorrências isoladas. Especialistas alertam que os sintomas iniciais podem ser confundidos com dengue e outras viroses, incluindo febre, dor de cabeça, dores no corpo, náuseas e vômitos. Em casos graves, a doença compromete pulmões e coração, podendo apresentar alta taxa de letalidade.
Pesquisadores reforçam que a vigilância epidemiológica e o diagnóstico rápido são fundamentais para evitar complicações. A farmacêutica Moderna anunciou que já desenvolve estudos para uma vacina contra o hantavírus em parceria com instituições internacionais. Enquanto isso, autoridades de saúde monitoram passageiros e pessoas que tiveram contato com os infectados, já que o período de incubação do vírus pode chegar a até 60 dias.




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