PF rejeita delação de Daniel Vorcaro em investigação sobre fraudes no Banco Master
Defesa do ex-banqueiro segue negociando acordo com a PGR, enquanto investigadores apontam omissões e insuficiência nas informações apresentadas
Foto: Reprodução. A Polícia Federal rejeitou a proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde março no âmbito das investigações sobre supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. A decisão foi tomada após investigadores avaliarem que a colaboração não apresentou informações inéditas relevantes em relação ao material já reunido pela corporação.
Mesmo com a negativa da PF, a defesa de Vorcaro continua negociando um possível acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República (PGR). As tratativas ocorreram novamente nesta quarta-feira (21), em Brasília, e envolvem temas como ressarcimento financeiro estimado em cerca de R$ 50 bilhões, definição do regime de pena e o alcance político das informações que poderiam ser apresentadas pelo ex-banqueiro.
Segundo fontes ligadas à investigação, Vorcaro busca garantir prisão domiciliar ao menos até um eventual julgamento definitivo do caso. Nos bastidores, investigadores avaliam que o ex-banqueiro teria potencial para citar nomes ligados ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal (STF), o que aumentou a atenção sobre o desdobramento da apuração.
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Entre os fatores que motivaram a rejeição da proposta, a Polícia Federal apontou omissões consideradas relevantes. Um dos episódios mencionados envolve o senador Ciro Nogueira, que, segundo investigadores, teria recebido vantagens indevidas relacionadas a discussões sobre a ampliação da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O tema, no entanto, não teria sido citado por Vorcaro em sua proposta inicial.
Outro ponto destacado pela PF foi a ausência de informações sobre a suposta ligação do ex-banqueiro com o senador Flávio Bolsonaro. Na semana passada, o portal Intercept Brasil divulgou mensagens e áudios envolvendo negociações sobre um possível repasse de R$ 134 milhões para financiar o filme “Dark Horse”, projeto associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo investigadores, ao menos R$ 61 milhões já teriam sido transferidos.
Na última segunda-feira (18), Daniel Vorcaro foi transferido para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Nos bastidores, a mudança foi interpretada como mais um sinal do desgaste entre o investigado e a corporação, que considera a colaboração apresentada até agora seletiva e insuficiente para avançar nas negociações de um eventual acordo.







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