Michelle Bolsonaro evita crise de Flávio e gera desconforto no núcleo bolsonarista
Silêncio da ex-primeira-dama sobre caso envolvendo Daniel Vorcaro provoca irritação entre aliados de Carlos e Eduardo Bolsonaro e amplia especulações no PL
A postura discreta de Michelle Bolsonaro diante da crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro provocou desconforto dentro do próprio núcleo bolsonarista. Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, aliados próximos de Carlos Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro demonstraram irritação após a ex-primeira-dama evitar uma defesa pública mais contundente do senador em meio à repercussão política do caso.
O incômodo ganhou força depois que Michelle, questionada sobre o tema durante um evento em Brasília, afirmou que perguntas relacionadas ao episódio deveriam ser direcionadas “ao próprio Flávio”. A declaração foi interpretada nos bastidores como um sinal de distanciamento em relação à crise que atinge o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Além do silêncio sobre o caso, outro episódio ampliou o mal-estar dentro do grupo político ligado ao ex-presidente. Durante o mesmo evento, Michelle Bolsonaro chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de “irmão em Cristo” ao comentar a autorização para que Jair Bolsonaro recebesse atendimento de um cabeleireiro durante o período de prisão domiciliar.
“Vou profetizar aqui, porque Deus transformou Saulo em Paulo. Nosso irmão em Cristo, Alexandre de Moraes, liberou o cabeleireiro”, declarou Michelle, em fala que repercutiu negativamente entre setores mais ideológicos do bolsonarismo.
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Nos bastidores do Partido Liberal (PL), aliados de Carlos e Eduardo Bolsonaro passaram a interpretar a postura da ex-primeira-dama como uma tentativa de preservar sua imagem política diante do desgaste enfrentado por Flávio Bolsonaro. A avaliação é de que Michelle busca manter distância da crise para preservar uma eventual viabilidade eleitoral futura.
Interlocutores próximos da ex-primeira-dama, no entanto, negam qualquer cálculo político. Segundo aliados, Michelle estaria concentrada exclusivamente no acompanhamento da situação de Jair Bolsonaro, que permanece em prisão domiciliar, e não pretende participar diretamente da estratégia de defesa política do senador.
Mesmo assim, a movimentação voltou a fortalecer especulações dentro do PL sobre possíveis alternativas ao projeto presidencial de Flávio Bolsonaro. Lideranças partidárias e setores ligados ao eleitorado evangélico passaram a citar novamente o nome de Michelle Bolsonaro como uma possível herdeira política direta do capital eleitoral do ex-presidente.
O episódio também reacendeu antigos desgastes na relação entre Michelle e os filhos de Jair Bolsonaro. Integrantes do entorno bolsonarista recordam divergências anteriores, como as críticas públicas feitas pela ex-primeira-dama após Flávio sinalizar apoio a uma composição política com o ex-ministro Ciro Gomes no Ceará.







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