Endividamento das famílias brasileiras bate recorde e acende alerta para superendividamento
Mais de 80% dos lares brasileiros possuem algum tipo de dívida; juros altos, custo de vida e apostas online estão entre os principais fatores apontados por especialistas.
Ilustração: Cássio Costa | Agência Senado O endividamento das famílias brasileiras atingiu o maior nível da série histórica em 2026, reforçando a preocupação de especialistas e autoridades sobre os impactos do superendividamento na economia e na qualidade de vida da população. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), apontam que 80,9% das famílias declararam possuir algum tipo de dívida em abril deste ano.
Entre os principais fatores que impulsionam esse cenário estão as elevadas taxas de juros, o aumento do uso do crédito rotativo, o encarecimento do custo de vida e o avanço das apostas online, conhecidas como “bets”. O cartão de crédito segue como a principal fonte de endividamento das famílias, especialmente devido às altas taxas cobradas na modalidade rotativa.
Além do crescimento do número de endividados, o levantamento revela que quase 30% das famílias possuem contas em atraso e que uma parcela significativa afirma não ter condições de quitar os débitos acumulados. O comprometimento da renda familiar também alcançou patamares recordes, com quase um terço do orçamento doméstico destinado ao pagamento de dívidas.
Especialistas alertam que o problema vai além das finanças pessoais e afeta diretamente o consumo, a geração de empregos e o crescimento econômico. Com menos dinheiro disponível para gastos, as famílias reduzem o consumo de bens e serviços, impactando diversos setores da economia brasileira.
Como resposta ao avanço do superendividamento, o governo federal relançou o programa Novo Desenrola Brasil, que oferece condições facilitadas para renegociação de dívidas, incluindo descontos que podem chegar a 90% e juros reduzidos. A iniciativa busca ajudar milhões de brasileiros a recuperarem o equilíbrio financeiro e voltarem a ter acesso ao crédito.
No Congresso Nacional, projetos voltados à proteção dos consumidores endividados e à ampliação da educação financeira também avançam. A expectativa é que medidas estruturais, aliadas à geração de emprego, aumento da renda e acesso a crédito mais barato, contribuam para reduzir o impacto do endividamento sobre as famílias brasileiras nos próximos anos.



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