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Indígenas marcham em Brasília por demarcação de terras e direitos

Mobilização do Acampamento Terra Livre reúne milhares de indígenas e cobra ações do governo e do Congresso Nacional.


Indígenas marcham em Brasília por demarcação de terras e direitos Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Milhares de indígenas de diversas regiões do Brasil marcharam até o Congresso Nacional, em Brasília, durante a 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL 2026), considerada a maior mobilização indígena do país. O ato teve como principal pauta a demarcação de terras indígenas e a garantia de proteção aos territórios tradicionais, fundamentais para a preservação cultural, social e ambiental dos povos originários.

Com o lema “Demarca, Lula”, os manifestantes caminharam cerca de seis quilômetros pela Esplanada dos Ministérios, cobrando respostas do governo federal e criticando propostas legislativas consideradas prejudiciais aos direitos indígenas. Lideranças também entregaram uma carta ao Executivo por meio da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), destacando a necessidade de acelerar o reconhecimento de territórios e combater invasões e conflitos.

Marco temporal e pressões políticas estão entre os principais alvos

Entre os principais temas levantados pelos manifestantes está o chamado marco temporal, tese jurídica que limita a demarcação de terras às áreas ocupadas por indígenas até a promulgação da Constituição de 1988. Embora o Supremo Tribunal Federal (STF) tenha considerado a tese inconstitucional em 2023, o tema voltou ao debate após a aprovação de proposta semelhante pelo Senado em 2025, que ainda aguarda nova análise na Câmara dos Deputados.

Os indígenas também acusam parlamentares e governos de cederem à pressão de setores econômicos, como agronegócio e mineração, permitindo a exploração de territórios tradicionais. Durante a mobilização, faixas com mensagens como “Marco Temporal Não” e “Nosso Território Não Está à Venda” foram exibidas ao longo do trajeto.

Demarcação de terras e proteção ambiental são prioridades

Segundo lideranças do movimento, a demarcação de terras é uma dívida histórica do Estado brasileiro e um elemento essencial para o enfrentamento da crise climática. Dados da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) apontam que, entre janeiro de 2023 e novembro de 2025, foram homologados 20 novos territórios indígenas, totalizando cerca de 2,5 milhões de hectares protegidos em 11 estados.

Mesmo com avanços recentes, representantes indígenas afirmam que ainda existem cerca de 110 áreas em análise para reconhecimento oficial. Além disso, os participantes alertaram para ameaças ambientais causadas por projetos de exploração e infraestrutura que impactam biomas como a Amazônia e o Cerrado.









A mobilização do Acampamento Terra Livre segue em Brasília, com expectativa de novos atos e pressão por respostas concretas das autoridades federais e do Congresso Nacional.




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