Acidentes com motos crescem e elevam número de mortes no RN
Dados mostram aumento da letalidade e pressão sobre hospitais públicos, com média de até 700 atendimentos mensais por acidentes envolvendo motociclistas.
Imagem gerada por IA Os acidentes envolvendo motocicletas continuam crescendo no Rio Grande do Norte e já acendem um alerta nas áreas de segurança e saúde pública. Dados oficiais apontam que o estado registra, em média, três acidentes graves por dia com motos, com pelo menos uma morte diária relacionada a esse tipo de ocorrência. O cenário revela uma tendência de agravamento e reforça a necessidade de ações preventivas no trânsito.
Segundo levantamento da Secretaria da Segurança Pública e da Defesa Social (SESED), por meio da Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análises Criminais (COINE), 928 acidentes com motocicletas foram registrados em 2025, com média de 77 ocorrências por mês. O dado mais preocupante é a taxa de letalidade: 374 desses casos resultaram em morte, o equivalente a cerca de 40% das ocorrências. Já no primeiro trimestre de 2026, foram contabilizados 182 acidentes, sendo 97 fatais, indicando uma taxa de mortalidade superior a 50%.
Hospitais registram alta demanda por vítimas
O impacto dos acidentes não se limita ao trânsito. A rede pública de saúde também sente os reflexos do aumento das ocorrências. No Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal — maior unidade hospitalar do estado — foram registrados 2.103 atendimentos a vítimas de acidentes com moto entre janeiro e março de 2026, média superior a 700 casos por mês. Desse total, 719 pacientes precisaram ser internados, o que contribui para a superlotação das unidades hospitalares.
As vítimas geralmente apresentam quadros graves, como fraturas expostas, traumatismos e politraumatismos, exigindo cirurgias complexas e longos períodos de internação. De acordo com a direção do hospital, pacientes vítimas de acidentes de moto permanecem internados, em média, de duas a três semanas, ocupando leitos clínicos e de terapia intensiva.
Casos recentes reforçam gravidade do cenário
A morte do motoentregador José Richardson Alves da Silva, de 27 anos, após uma colisão registrada na Avenida Engenheiro Roberto Freire, em Natal, exemplifica a gravidade da situação. O atendimento médico demorou cerca de duas horas, e quando a equipe chegou ao local, a vítima já estava sem vida. O caso gerou protestos de colegas e reacendeu o debate sobre o tempo de resposta dos serviços de emergência.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que, no momento do acidente, as ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) estavam ocupadas ou com equipamentos retidos em unidades hospitalares, problema considerado recorrente na capital potiguar.
Frota crescente aumenta risco nas vias
Outro fator que contribui para o aumento dos acidentes é o crescimento da frota de motocicletas. Atualmente, o Rio Grande do Norte possui mais motos do que carros em circulação. Dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RN) indicam que o estado conta com cerca de 691 mil motocicletas, número superior ao total de automóveis registrados.
Na capital potiguar, o fluxo também é expressivo: circulam diariamente aproximadamente 240 mil automóveis e 132 mil motocicletas, o que eleva os riscos de acidentes e aumenta a pressão sobre o sistema de saúde e os serviços de emergência.
Fatores que contribuem para os acidentes
Especialistas apontam que a alta incidência de acidentes com motos está associada a diversos fatores, como:
- Excesso de velocidade
- Imprudência no trânsito
- Falta de equipamentos de proteção adequados
- Condições precárias das vias
- Crescimento acelerado da frota
O conjunto desses fatores reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à educação no trânsito e ao reforço da fiscalização, com foco na redução de mortes e na preservação de vidas.




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