PF aponta que Daniel Vorcaro pagou hospedagem de Hugo Motta e Ciro Nogueira em Lisboa
Investigação da Operação Compliance Zero revela que controlador do Banco Master custeou estadia de lideranças políticas durante evento jurídico em Portugal
Fotos: Marina Ramos / Câmara e Carlos Moura / Senado A Polícia Federal identificou que o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, custeou a hospedagem do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do senador Ciro Nogueira (PP-PI) durante uma viagem a Lisboa, em Portugal, realizada em junho de 2024. A informação consta em mensagens e áudios analisados pela PF no âmbito da Operação Compliance Zero.
De acordo com o relatório da investigação, Vorcaro solicitou a um auxiliar a reserva de hospedagem para o período entre 24 e 30 de junho, incluindo sua própria estadia e dois quartos destinados a “Ciro e Hugo”. As reservas teriam sido realizadas no hotel Four Seasons, um dos mais luxuosos da capital portuguesa.
Na mesma época, Lisboa sediava o Fórum Jurídico de Lisboa, evento conhecido nos bastidores políticos e jurídicos como “Gilmarpalooza”, por ter entre seus organizadores o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Segundo a PF, o empresário demonstrou preocupação com a privacidade dos encontros realizados durante a viagem, chegando a solicitar o isolamento de áreas do hotel para restringir o acesso de terceiros.
Áudios apreendidos pela investigação mostram Vorcaro pedindo reforço na segurança do local e destacando que apenas pessoas previamente autorizadas poderiam participar das reuniões. Em uma das mensagens, ele afirma que ninguém poderia entrar no ambiente reservado sem estar na lista de convidados.
Questionado sobre o caso em entrevista coletiva nesta terça-feira (16), Hugo Motta declarou que não vê irregularidades no pagamento da hospedagem. Segundo o parlamentar, a viagem ocorreu em contexto relacionado a um evento corporativo e jurídico do qual participou. Ele também afirmou confiar no trabalho dos órgãos de fiscalização e defendeu a continuidade das investigações.
Até a publicação desta matéria, o senador Ciro Nogueira não havia se pronunciado sobre o assunto. As informações integram as apurações da Operação Compliance Zero, que investiga possíveis vantagens indevidas envolvendo agentes públicos e pessoas ligadas ao sistema financeiro. Entre as suspeitas analisadas pela Polícia Federal estão o pagamento de despesas pessoais e o uso de aeronaves particulares por autoridades.




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