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Facebook avaliava uso compulsivo da plataforma desde 2019, mostram documentos judiciais

Relatórios internos analisaram casos no Brasil e em outros países; Meta e YouTube foram condenados por danos à saúde mental de jovens e pretendem recorrer.

Com informações da Folha de São Paulo
Facebook avaliava uso compulsivo da plataforma desde 2019, mostram documentos judiciais

O Facebook, atualmente pertencente ao conglomerado Meta — que também controla Instagram e WhatsApp — já monitorava casos de uso compulsivo de suas plataformas desde 2019, segundo documentos internos obtidos pela Justiça dos Estados Unidos. Os registros indicam que usuários do Brasil, dos Estados Unidos e da Índia relataram sintomas associados ao uso excessivo das redes sociais, incluindo sensação de perda de controle, culpa e impactos negativos no bem-estar.

Os documentos foram utilizados como base para um julgamento recente que considerou a Meta e o YouTube responsáveis por danos à saúde mental de uma jovem americana. A decisão, considerada histórica, abriu precedente para novos processos semelhantes previstos para este ano. Em resposta, a Meta declarou que discorda do veredito e estuda medidas legais para recorrer da decisão, assim como o YouTube.

Relatórios internos definiram o chamado “uso problemático” como a incapacidade de controlar o tempo gasto nas plataformas e a presença de sentimentos negativos após o uso. Entre os efeitos identificados estão perda de produtividade, distúrbios do sono, dificuldades em relacionamentos e riscos à segurança pessoal. Depoimentos incluídos no material indicam que usuários relataram negligência em atividades cotidianas e familiares devido à distração constante causada pelo celular.

Além disso, mensagens internas de executivos revelaram que, desde 2016, havia estratégias para ampliar a presença das redes sociais entre o público jovem, especialmente em escolas e ambientes frequentados por adolescentes. O crescimento nessa faixa etária foi tratado como prioridade estratégica, reforçando preocupações globais sobre o impacto das redes sociais na saúde mental e no comportamento digital de crianças e adolescentes.

O caso também reacende debates internacionais sobre a necessidade de regulamentação das plataformas digitais e maior controle sobre o uso de redes sociais por menores de idade. Especialistas alertam que a exposição precoce e prolongada a essas tecnologias pode influenciar diretamente o desenvolvimento emocional e social dos jovens, tema que deve ganhar ainda mais destaque nos próximos anos diante do aumento das discussões jurídicas envolvendo as big techs.




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